Sábado, 19 de Julho de 2008

Batman - O Cavaleiro das Trevas

(The Dark Night, EUA, 2008)

Ação

Direção: Christopher Nolan

Elenco
: Christian Bale, Heath Ledger, Aaron Eckhart, Maggie Gyllenhaal, Gary Oldman, Morgan Freeman, Monique Curnen, Eric Roberts, William Fichtner

Roteiro: Bob Kane (personagem), Christopher Nolan, David S. Goyer, Jonathan Nolan

Duração: 152 min.

Minha nota: 8/10

Agora eu sei que, apesar de odiar idéias como esta, alguma coisa podia me fazer sair da minha casa tarde, enfrentar duas filas enormes, correr para pegar bons lugares e ver um filme que só acabaria às 3 horas da manhã. Era uma das estréias mais concorridas, disputadas e esperadas do ano. Além de trazer o Homem-Morcego em uma de suas melhores histórias em quadrinhos; de uma campanha sensacional de lançamento, com sites e ações espalhadas pelo mundo; ainda tinha em seu elenco Heath Ledger, um dos mais promissores atores da atualidade e que faleceu pouco tempo depois de gravar o filme de overdose acidental de remédios.

Eu sou uma fã inveterada do herói. Daquelas que coleciona revistas, acompanha séries de desenhistas e que, como era de se esperar, assistiu a todos os filmes. E dá para dizer que nenhum deles chegou mais perto do que eu já li do que este.

Gothan City está tomada por vários mafiosos, o crime corre solto e uma polícia corrupta fecha os olhos para tudo isso. Ao mesmo tempo, Harvey Dent se torna uma esperança para a população com suas ações como promotor de justiça, o policial Gordon demonstra que ainda existem agentes limpos e Batman tenta combater o crime, mas agora dividindo opiniões e inspirando vários malucos que tentar ajudar o cavaleiro solitário.

E em meio a este descontrole, surge o Curinga para tornar as coisas ainda mais caóticas. Com piadas ácidas, nenhuma moral e cicatrizes horrendas, ele aproveita a vunerabilidade dos maiores criminosos do local para tomar conta de todo o espaço.

O resultado final é muito bom e conta com um roteiro que soube como distribuir tantos personagens e acontecimentos sem tornar o filme chato e trabalhar a ação e a emoção sem maiores problemas.

Analisar o elenco é uma tarefa difícil, pois é Ledger quem domina o espaço e com uma atuação superior, torna qualquer outra mais fraca e menos dedicada. Não que os outros atores não estejam bem. É ele quem supera todas as espectativas e ainda nos faz ficar muito mais exigentes com os outros.

O destaque, porém, não é um privilégio do jovem ator. Em filmes do Batman essa história se repete e são os vilões que têm mais cores, nuances e acabam chamando mais atenção mesmo. Mas nenhum deles chegou nem perto do que vemos aqui. Muito superior a Jack Nicholson, que interpretou o mesmo papel no primeiro de todos os filmes do herói, Ledger soube como trabalhar toda a insanidade e perversidade do Curinga. Tudo nele tem o jeito do vilão, desde o jeito de andar até o olhar lunático.

No elenco ainda temos Michael Caine, como um irônico Alfred; Gary Oldman, como o dedicado tenente Gordon; Aaron Eckhart, como o carismático e implacável Harvey Dent; Maggie Gyllenhaal, como a dedicada e dividida Rachel; e Morgan Freeman, como o obediente Lucius Fox. Todos muito bem. O Batman é vivido mais uma vez por Christian Bale que, apesar de ser superior aos morcegões anteriores, estava melhor em Batman Begins e, desta vez, não conseguiu transmitir os sentimentos de um milionário exagerado/herói atormentado.

A direção de arte fez bonito. Apesar de ser uma fã da Gothan de Tim Burton, sombria como deve ser, acho que esta versão da mesma cidade caiu como uma luva para a adaptação de Cavaleiro das Trevas. Diferente de outras revistas do herói, esta tem mesmo um tom mais claro e moderno que foi seguido.

A maquiagem merece destaque pela criação de um Curinga bizarro, que faz questão de destacar suas cicatrizes estranhas na bochecha e de um Duas-Caras sinistro, que prefere não fazer nada para recuperar seu rosto destruído em um incêndio.

As únicas coisa que me incomodaram no filme foram o aparato óptico mega-ultra-super-power-plus da nova roupa e uma queda no ritmo logo depois dos acontecimentos mais agitados do filme, mas que não chega a comprometer e que talvez só tenha sido percebida porque já passava das duas da manhã.

Um filme que, apesar de ainda não ser o Batman que eu esperava ver (começo a achar que isso não vai mesmo acontecer), valeu a espera e que, diferente do que eu imaginava, não caiu frente a tanta expectativa criada.

Palmas, palmas e mais palmas para a atuação de Heath Ledger que, com o papel confirmou minhas apostas e vai deixar saudade por todo esse vigor e empolgação na hora de construir seus personagens.

Indicado para fãs de filmes de ação, quadrinhos e afins, mas qualquer um que goste de cinema deveria reservar um tempo para conferir.


Um Grande Momento

O Curinga saindo do hospital.


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Quinta-feira, 17 de Julho de 2008

A frase

"Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara."

Há um mês e meio, mais ou menos, eu recebi um desafio bem interessante do querido Hugo, do blog Cinema - Filmes e Seriados. Eu precisava escrever ou citar uma frase e escolher uma imagem para acompanhá-la.

As idéias foram as mais variadas, procurei falas de filme, partes de textos lidos e relidos, letras de música e nada me agradava mais do que a citação de uma frase do Livro dos Conselhos, por José Saramago no livro Ensaio sobre a Cegueira. A frase é na verdade um resumo de todo o livro de Saramago, que virou filme nas mãos do excelente Fernando Meirelles e deve estrear no Brasil no dia 12 de setembro.

Apesar de não ser uma coisa exatamente sobre mim, reflete uma atitude geral de todos nós, seres humanos. O mundo está aí se esfacelando, injustiças estão sendo cometidas, crianças morrem absurdamente, guerras não têm explicações e até aquela pessoa que está ali ao lado (colega de trabalho, amigo, filho, pai, irmão) precisando de ajuda não chama a nossa atenção.

A foto foi escolhida porque demonstra muito bem o tamanho da cegueira da humanidade. Quantas vezes olhamos para cenas assim e simplesmente não vemos o que realmente está acontecendo?

Mais do que uma simples frase, um conselho...

Quarta-feira, 16 de Julho de 2008

Fim dos Tempos

(The Happening, EUA/IND, 2008)

Suspense

Direção: M. Night Shyamalan

Elenco
: Mark Wahlberg, Zooey Deschanel, John Leguizamo, Ashlyn Sanchez, Betty Buckley, Spencer Breslin, Robert Bailey Jr., M. Night Shyamalan

Roteiro: M. Night Shyamalan

Duração: 91 min.

Nota: 1/10

Quem ainda insiste em conferir os lançamentos de Shyamalan, acaba de receber um golpe fatal com o título O Fim dos Tempos. Sem dizer ao que veio, o filme é fraco, inconsistente e consegue irritar os espectadores mais condescendentes com o diretor que fez o seu nome com o excelente O Sexto Sentido.

Mas o sucesso e a quase unanimidade alcançados com o primeiro título, porém, nunca mais se repetiram. O filme seguinte do diretor, Corpo Fechado, não era tão bom, mas ainda tinha um enredo interessante e um desenvolvimento bem peculiar. Depois disso, veio Sinais que, apesar de ainda ser bem quisto por muitos, demonstra falhas de roteiros, exageros e uma certa dificuldade na direção dos atores.

Quando parecia que nada mais sairia de bom, Shyamalan lançou A Vila, um filme sensacional tanto pela temática, como pelo elenco e conseguiu, assim, quase restaurar o interesse do grande público. Tudo isso para receber o fraco A Dama da Água, um filme que não chega a ser ruim, mas é meio confuso e que, além de retificar que conduzir atores é o ponto fraco do diretor, apela para personagens ridículos.

Fim dos Tempos consegue ser ainda pior do que o mais fraco de todos os anteriores. Nos Estados Unidos, pessoas afetadas por uma estranha doença começam a se matar das maneiras mais estapafúrdias. Depois de considerar que se trata de uma ameaça terrorista e de muito tempo sem entender o que está acontecendo, chega-se a conclusão de que o desequilíbrio ambiental acabou fazendo com que as plantas liberassem uma toxina que anula o sentimento de auto-preservação da raça humana.

Apesar da premissa ser interessante, depois da descoberta tudo que vemos é uma caminhada incansável rumo a sobrevivência recheada de muitas histórias mal contadas, falhas grosseiras no roteiro, personagens para lá de ridículos (muito piores do que os de A Dama da Água) e atores que parecem, simplesmente, não seguir o comando de ninguém. Tudo perdido, sem direção e nem futuro, tentando chegar logo ao fim do filme.

No caso do elenco, destaque absoluto para o péssimo Mark Wahlberg, que não consegue convencer de jeito nenhum como professor e quiça como ser humano. Como ele é o mocinho da história, temos que acompanhar toda a sua jornada por dentro de estradas, fazendas e contrária ao vento assassino que, ao transportar a tal toxina do mal, sai "suicidando" tudo que vê pela frente.

Alguns personagens são tão improváveis que também merecem ser destacados, como o casal do cachorro quente, a mãe que põe o telefone em viva-voz, o velho estressado que não quer abrir a porta e, como disse Rafael do O Esgoto, "a Senhora Solitária Que Tem Um Ataque Quando Presumidamente Tentam Roubar Sua Limonada"...

O filme é tão ruim que não consegue nem chegar perto de explicar, entender, passar ou perder alguma coisa. As coisas simplesmente vão acontecendo diante dos nossos olhos e claramente não consegue chegar onde queria.

Apesar de ter ouvido que a intenção do diretor era, na verdade, fazer o público acreditar que o elenco estava sendo mal dirigido de propósito (???), nem os mais aficcionados por seu trabalho fizeram boas críticas e, para mim, o filme é ruim mesmo.

Péssimo motivo para gastar dinheiro e jogar tempo de vida no ralo. Pior até do que passar o domingo de pijamas vendo Faustão.

Pensando melhor sobre o tema, será que eram mesmo as plantas que soltavam toxinas e faziam as pessoas suicidar-se? Ou será que era a qualidade da produção?

Um Mau Momento

Todas as caras de Walhberg estão péssimas, mas quando ele grita depois do tiro... Péssimo!



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